terça-feira, 27 de junho de 2017



Um servo humilde




Por Gilberto Lima




Nascido de uma família simples e em um lugar pequeno, apareceu no deserto e no deserto multidões o seguiam.


A promessa estava sobre ele, Isaias profetizou a seu respeito; “eu sou a voz que clama no deserto: endireitai o caminho do Senhor”. (Isaias 40.3)
O chamado era de Deus, a promessa era de Deus. E quando o chamado e a promessa são de Deus, mesmo que clame no deserto multidões o ouvirão. Quando o chamado e a promessa são de Deus, a unção estará sobre o enviado, o enviado glorifica quem o enviou, o enviado não se preocupa com a multidão, o enviado tem a unção, quem tem a unção sua voz ultrapassa deserto, sua voz é ouvida nos confins da terra.


Há uma diferença grande entre João Batista e os ministros contemporâneos. Enquanto, os fariseus e levitas enviaram pessoas a perguntarem quem era a voz que clamava no deserto, João Batista não se preocupava com títulos. És tu o Cristo? Não! És tu, pois, Elias? Não! És tu, pois, um profeta? Não!


Mas, nós precisamos de uma resposta para os que nos enviaram! Diga a eles que eu sou a voz do que clama no deserto: endireitai o caminho do Senhor. Como disse o profeta Isaías. O chamado de Deus em uma pessoa não preocupa em colocar títulos antes do nome, o chamado de Deus é visto através de quem ele é, e o que ele é, é o testemunho, e o testemunho clama no deserto e sua voz é ouvida em todos os cantos.
João Batista disse que não era profeta, ele não se preocupava com títulos, não se preocupava em ser o menor, veio preparar o caminho do mestre, nós precisamos ser servos, ministros são servos e não senhores.


João Batista nunca se preocupou em por o titulo de “profeta João Batista”, mas Jesus deu testemunho dele; O que foste ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento? Sim, o que foste ver? Um homem ricamente vestido? Os que se trajam ricamente estão nas casas dos reis. Mas, então o que foste ver? Um profeta? Sim, vos digo e muito mais que um profeta. Porque é este de quem está escrito: eis que diante da tua face envio meu anjo, que preparará diante de ti o teu caminho. (Mateus 11.7-12)


O ministro não deve preocupar com o que dizem, não são as pessoas que vão determinar quem somos, Deus dirá quem somos, ele dará testemunho nosso diante dos anjos, ele dará testemunho nosso diante das pessoas, porque chamado e promessa são dados por Deus, a unção não depende de nós ou quem quer que seja, mas de Deus.
Jesus ainda dar testemunho de João Batista quando diz: dos nascidos de mulher ninguém é maior do que João Batista. Mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. (Mateus 11.11)


João Batista foi a voz no deserto depois de um período de silêncio, preparou o caminho do Senhor.

Mas no reino dos céus, há aqueles que não nasceram da vontade da carne e nem da vontade do sangue, mas da vontade de Deus. (João 1.13)

Filhos por adoção através do sacrifício de Cristo, exatamente por isso os filhos do reino são os filhos de Deus.

Exaltado seja o nome de Jesus. Amém!



quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sofrimento e redenção





           

Por Gilberto Lima


A bíblia declara que o próprio espirito testifica com nosso espirito que somos filhos de Deus. (Ro 8. 16)
Há uma esperança maravilhosa para os filhos de Deus, há uma promessa inenarrável que somos herdeiros de Deus e ainda co-herdeiros juntamente com Cristo.
Hoje vivemos e somos simples mortais lutando sempre pela vida, orando sempre pela nossa família, amigos e irmãos, para que tenhamos uma vida de paz, de alegria plena aqui na terra, podendo se deliciar com tudo que o Senhor nos deu, mas a bíblia também diz que estejamos preparados para o dia mau. (Ef 6.13)


Muitas  coisas boas podemos desfrutar nessa vida e muitas vezes até embriagarmos com os manjares dessa terra, mesmo que o homem aproveite o máximo, mas vai chegar o dia que tudo isso será apagado de nossa memoria pois, não somos eternos.
Há também aqueles que desde o dia do seu nascimento vivem em tormentas nessa vida, procurando por alivio para as dores e em alguns casos esse alivio é encontrado e outros não.


Quando a palavra de Deus diz que o dia mau chegará, esse dia chegará inevitavelmente. Mas se chegar, como suportar?
Deus sempre guia seus filhos no sofrimento antes de alcançar a glória, a glória que deve ser dada somente a Deus, o sofrimento causado no homem também é para a glória de Deus. Nisso também o homem é provado, o Senhor nunca nos abandona, embora em muitos momentos isso pareça acontecer.
O sofrimento de Jesus na cruz é a maior prova, embora o pai o tenha abandonado por causa do nosso pecado, nossa culpa estava sobre ele, sobre seus ombros, ele suportou até a morte de cruz e o seu pai o ressuscitou dentre os mortos para que o nome do pai e do filho fosse glorificado e, nisso nós também fomos glorificados juntamente porque herdamos a salvação.


Há muitos meios através do sofrimento dos filhos que são aprovados e muitos são guiados por Deus no sofrimento para que outras pessoas sejam guiadas também até a Deus. Deus trabalha de muitas formas e muitas vezes nós não percebemos, e uma das formas é o aperfeiçoamento do nosso caráter, para que sejamos melhores em tudo nessa vida.


Um reino quando estiver em paz com os outros reinos deve-se preparar para o dia mau, deve aproveitar a paz, para construir muralhas, torres, as sentinelas devem estar atentas aos inimigos, quando o reino não está preparado ele é atacado e grande é sua ruína. Nossa vida também é assim temos que ser prevenidos sempre esperando o dia mau, mesmo quando estiver tudo bem.


Assim são os filhos de Deus, devem estar quando em paz, devem passar segurança para os demais, mas quando somos atacados precisamos lutar sem desanimar, mesmo se o nosso inimigo for forte, temos que lutar e vence-lo. A glória da vitória contagia pessoas, contagia filhos e prepara o homem para as adversidades.


Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Ro 8.18)


Mais há uma expectativa ardente onde a criação aguarda a revelação dos filhos de Deus.


Os filhos de Deus no sofrimento do mundo, no cativeiro da corrupção esperam pela redenção, pela promessa que vamos herdar as bênçãos celestiais.
Nós gememos com dores em nosso íntimo, aguardando a redenção do nosso corpo corruptível.


Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como espera?
Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos. (Ro.8.24,25)





sábado, 18 de março de 2017




O ascetismo em nossos dias


                     

Por Gilberto Lima



A palavra de Deus aos colossenses 2. 20-23 dita pelo apostolo Paulo ressoa prolongadamente ainda em nossos dias. Ao mesmo tempo que o liberalismo teológico ronda a igreja querendo a matar, líderes corrompidos de pouco a pouco inculcam essa inverdade. A igreja de Deus precisa estar atenta a este desiquilíbrio teológico, mas precisa estar atenta também aos exageros do ascetismo religioso, do legalismo que falsamente mostra santidade.



No oriente Antônio (250 – 356) é geralmente visto como o fundador do monasticismo. Aos vinte anos de idade, ele vendeu seus bens, deu dinheiro aos pobres e se retirou para uma solitária caverna no Egito para levar uma vida de meditação. Sua vida de¹ santidade deu lhe tamanha reputação que outros passaram a viver perto dele em outras cavernas. Como nunca organizou esses seguidores numa comunidade, cada um praticava a vida ascética de um eremita dentro de sua própria caverna.



O líder inconteste do monasticismo ocidental foi Bento de Núrsia (480 – 543). Chocado com a vida pecaminosa de Roma, ele se retirou pra viver como eremita numa caverna nas montanhas orientais de Roma, por volta do ano 500. Em 529, fundou o mosteiro de monte Cassino, que permaneceu em atividade até a segunda guerra mundial, quando foi bombardeado. Logo, vários mosteiros estavam sob sua liderança, seguindo seu plano de organização, trabalho e culto, isto é, seguindo as regras de sua ordem. Cada mosteiro era considerado uma¹ unidade auto-suficiente e autodirigida, como uma guarnição de Cristo. O dia era dividido em período no quais leitura, adoração e trabalho tinham papel importante. Os regulamentos que ele elaborou previam pouca alimentação para os monges, mas permitiam fartura de peixe, azeite, manteiga, pão, vegetais e frutas em sua dieta. Essa ordem, que ensinava a pobreza, a castidade e a obediência, constituiu-se numa das mais importantes ordem da idade Média. Levada à Inglaterra, Alemanha e França no século VII, tornou se universal ao tempo de Carlos Magno. Foi a ordem-padrão no ocidente por volta do ano 1.000.



Dentro de mosteiro ou não sempre existia exageros, e que exageros diga se de passagem! Existiam anacoretas pessoas que viviam afastadas de tudo, longe da sociedade, outro grupo conhecido como cenobíticos viviam isolado da sociedade, mas em mosteiros. Preciso ressaltar que alguns monges viviam em contato com pessoas na questão de solidariedade e generosidade. E muito, por exemplo que se aprendeu na agricultura vem desses monges em mosteiros que aprendiam a forma do cultivo.



O anacoreta se isolava do mundo e da sua política, se ausentando em um ascetismo inútil muitas vezes. Eles viviam em torre, um deles conhecido como Simeão estilista (390-459), depois de viver enterrado por vários meses, resolveu alcançar a santidade assentando-se em numa estaca. Ele passou mais de trinta anos no topo de uma coluna de dezoito metros, perto de Antioquia.  Outros viviam no campo e pastavam como bois. Um certo Amom conseguiu alguma fama de santidade por jamais ter se despido ou tomado banho depois que se tornou eremita. Um outro andou nu nas proximidades do monte Sinai durante 50 anos. Estes, entretanto, eram apenas a facção fanática do movimento e eram encontrados mais no oriente do que no ocidente.



Entretanto, muitos anos se passaram, mas, o ascetismo continua bem ativo em nossos dias. O ascetismo é a religião que vira fanatismo, farisaísmo condenado por jesus em seus dias aqui na terra, judaísmo ascético do tempo de Paulo, fanatismo asceta na época medieval e agora em nossos dias legalismo destruidor, graça barata e ignorância no cristianismo.



O povo erra em não conhecer as escrituras, a ignorância tem tomado conta do cristianismo; mais que cristianismo? É possível conhecer a Cristo sem conhecer sua graça? Porque auto se flagelar o corpo? Porque jejuar tanto sem conhecer o verdadeiro jejum?



Primeiro quero deixar bem claro que essa pratica de ascetismo e seus derivados nem sempre tiveram presente no cristianismo, até porque cristianismo nunca ensinou isso, portanto, é uma deturpação do santo evangelho de Deus. Mas quero viajar ao antigo testamento no tempo por exemplo dos canaanitas que tinham seus deuses e sacrificavam seus próprios corpos, ofereciam seu filhos como sacrifício. Lembra do profeta Elias quando pediu que fogo descesse para ascender o altar? Os profetas de Baal também fizeram preces, quando o deus deles nada podia fazer, eles auto se flagelaram, se cortando, se sacrificando. Elias não precisou fazer isso, pois Deus ouviu sua oração. Não precisamos nos sacrificar como muitos tem feito por aí, subindo monte de joelhos, subindo montanhas com galões de água nas costas, dizendo que vão jejuar por você. Olha! Não é bem assim, fiquemos atentos a palavra de Deus, Jesus disse que quando for jejuar não deixem que seus rostos fiquem abatidos como se quisessem que os outros vissem que estivesse jejuando, então ele pede pra lavar o rosto a fim de que os outros não vejam. Se fizermos um voto não devemos tardar em cumprir, mas subir escadas de joelhos para pagar promessas, andar de joelho nu ensanguentado por quilômetros e quilômetros, e sempre que feito isso, tem uma câmera sempre mostrando, mas, Jesus disse o contrário, quando fores orar, feche a porta de seu quarto e fale em secreto com Deus ele te ouvirá e se quiser responderá suas suplicas.



Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêssemos no mundo, vos sujeitai a ordenanças: não manuseeis isto, não proveis aquilo, não toque aqueloutro, segundo os preceitos e doutrina dos homens? Pois que todas essas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, tem aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não tem valor algum contra a sensualidade. (Colossenses 2.20-23)


O Rev. Hernandes Dias Lopes afirma; O apostolo Paulo sintetiza o ascetismo em três proibições: não manuseies, não proves, e não toques. Embora ²devemos cuidar do nosso corpo como templo do espirito e trata-lo com disciplina para não sermos desqualificados. O ascetismo é uma falácia. Ele é fruto do entendimento errado da filosofia grega. É enganosa a ideia de que a matéria é má e de que, sendo o nosso corpo matéria, ele precisa ser castigado e privado dos prazeres. O nosso corpo, protege-o, sustenta-o, salva-o e o glorificará.



Willian Hendriksen diz; em vez do ascetismo² ser um remédio contra a satisfação dos desejos da carne, os fomenta e os promove. Porque isso? O verso 20 diz que nós morremos com Cristo e para os rudimentos do mundo, morrer para o mundo é morrer para o pecado. Então porque estamos sujeitos as ordenanças de homens sujeitando seus preceitos e suas doutrinas? Homens que dizem não façam isso, não provem aquilo, não manuseeis aqueloutro, essas coisas com o uso se destroem, tais coisas com efeitos tem aparência de sabedoria, mais no fundo é culto a si mesmo e tá cheio de falsa humildade. Isso nada mais é que ascetismo. Muitas igrejas querem e se preocupam tanto com uso e costumes, mas não se preocupam com o que está sendo pregado em seus púlpitos, não se preocupam com o ensino. A vida que jesus nos deu foi pra viver prazerosamente, tudo feito com ação de graças podemos comer porque quem santifica é Deus. Não é meu modo de viver que vai dizer quem eu sou, mas meu caráter diante de uma geração corrompida. Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem, ou com relação a alguma festividade religiosa ou à celebração das luas novas ou dos dias de sábado.
Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo.
Colossenses 2:16,17



O perigo desse ascetismo é a falsidade, quando o religioso se põe em um grau de santidade, em que ele acha que santidade estar no modo de comer, beber ou se vestir ele começa a fazer julgamento em seu coração acerca de determinada pessoa, irmão e parente. A nossa circuncisão não estar na aparência e sim no coração, na aparência é obra da carne, no coração é o Espirito Santo que opera e faz a obra.



O legalismo nos tira as coisa da criação a qual Deus nos deu para que vivêssemos prazerosamente, devemos aproveitar a criação com simplicidade sempre agradecendo a Deus. Cada país tem sua cultura no modo de se vestir, beber e comer. Há pessoas que morrem de vontade de praticar esporte, mas não fazem porque acham pecado, e o benefício do exercício onde fica? Tem pessoas que morrem de vontade de ir no mar tomar um banho, só não vão porque se sentem envergonhado porque o legalismo não deixa ao menos colocar um traje de banho descente. Em cristo morremos para os rudimentos do mundo, morremos para o pecado, devemos sempre lutar pela família e seus valores. Deus não nos chamou pra vivermos como anacoretas, longe da sociedade, porque valores e princípios partem do cristianismo, esses valores só vão adiante quando o cristianismo é infiltrado dentro da sociedade. A igreja, o povo que vive isolado não progride, a religião que se isola é seita. Mas nós somos o corpo de Cristo vivendo no mundo, mas ainda não fomos retirados dele. Portanto caminhemos pregando e vivendo o evangelho de Cristo vivendo e desfrutando da criação de Deus.



Fico com as palavras do Rev. Hernandes Dias Lopes em seu livro o comentário sobre colossenses;
Novamente podemos ouvir o eco da palavra de Cristo aos fariseus: “Hipócritas! Bem profetizou Isaias a vosso respeito, dizendo: este povo honra-me ²com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mt.15.7-9) Há pessoas que relativizam a palavra de Deus e absolutizam regras e preceitos humanos. Os usos e costumes tornam se mais importantes do que as escrituras”.



O ascetismo tem aparência de sabedoria e humildade, mas não tem valor algum diante de Deus. É um sacrifício inútil. É um culto de si mesmo, uma² religião feita para si mesmo. Tem uma piedade falsa e fingida. Tratava-se de uma inovação barata, de fabricação própria, de um culto falsificado. Ele não tem valor espiritual nenhum. É um engano. Não torna ninguém mais santo. Paulo diz que as regras rigorosas dos ascetas “não tem valor algum contra a sensualidade” (Col. 2.23). Nenhum amontoado de regras religiosas pode mudar o coração do homem. Somente o Espirito santo pode fazê-lo.  



¹ o cristianismo através dos séculos - Earle E. Cairns, pag. 130, 131 e 132
² Colossenses-Hernandes Dias Lopes- pag. 153, 154 e 155






terça-feira, 28 de fevereiro de 2017




Chamado ao arrependimento




        

Por Gilberto Lima



Os assírios pagãos eram inimigos de Israel, era uma força dominante em cerca de 885 a 665 a. C. Relatos do AT descrevem seus saques contra o reino de Israel e Judá, onde destruíam zona rural e levava cativos alguns. O poder Assírio já era mais fraco no tempo de Jonas, mais estava vivo na memória dos Israelitas a crueldade e mortandade causada por eles. O profeta Jonas viveu na época do rei Jeroboão II (2 Reis 14.25) no início do século VIII, cerca de 793 a 753. O profeta era filho de Amitai, um nativo de Gater-Hefer, um vilarejo situado a 5 km em direção ao nordeste de Nazaré, dentro das fronteiras tribais de Zebulom.



Jonas como bom Israelita, nacionalista, sabendo que seu povo sofreu horrores com os Assírios, teve dificuldade de entender o chamado de Deus, a pregação aos inimigos de Israel. A princípio quando Deus disse que a malicia dos ninivitas subiram até ele, e era para clamar contra aquela grande cidade, o profeta teve medo pelo histórico de atrocidades daquela nação. Se dispôs a fugir da presença do Senhor para Társis situada na costa sudoeste da Espanha, talvez o profeta limitasse a grande soberania de Deus, achando que lá ficaria longe da presença dele. Naquela época era muito comum existir deuses locais, e também sempre uma nação aderia um deus, uma espécie de como existem em nossos dias, cada nação e cidade tem um padroeiro. Tanto é fato que talvez o profeta achasse que realmente poderia fugir da presença de Deus, por achar que em outro lugar Deus não agiria. Repare que no vs. 5 do capitulo 1 cada um do navio clamava ao seu deus. Mais o Deus de Jonas não é local, não é nacionalista, ele é Deus de toda terra e portanto governa sobre todos, a ponto de saber o que se passa na cabeça do inimigo e suas estratégias.



Um salvo em Cristo pode tentar fugir de seu oficio, assim como Jonas, mas Deus, logo, o buscará. Um salvo em Cristo pode até achar que uma nação não mereça, que um clã não mereça, que uma família não mereça, que uma alma não mereça, do mesmo jeito que Deus fez com Jonas ele irá fazer, com uma pessoa que tenta fugir do chamado. Porque a salvação pertence a Deus, porque a ação do espirito santo começa a manifestar na vida de pecadores para que se arrependam de seus pecados, de maneira que quando a palavra começa a ser pregada vidas vão sendo transformadas pelo poder de Deus, pessoas se arrependem no pó e nas cinzas, e reconhecem o estado miserável em que estão vivendo.



Não adianta fugir, você criará ocasião para que Deus possa agir de um jeito e de outro, então a melhor maneira é obedecer o chamado. Jonas ao fugir ele só criou momentos trágicos em sua vida, mas nada adiantou, pois, o peixe o vomitou em uma praia. Repare que quando ele saiu de sua cidade andou cerca de 50 km até o porto de Jope, a cidade de Nínive está localizada 1300 km ao oriente de Israel, na margem oriental do rio tigres. O peixe fez uma grande viajem para que o propósito de Deus fosse cumprido.



Ainda que tivesse acontecido tudo isso, a palavra de Deus a Jonas era “clama” proclama contra ela, claro que o profeta esperava que os ninivitas não se arrependesse, pois, a ordem era “proclama contra ela”. A cidade era normalmente percorrida durante três dias, mas o Profeta percorreu aquela grande cidade em apenas um dia. Uma pregação sem amor, sem motivação, mas houve arrependimento e Deus decididamente estava pronto a perdoar os pecados daquela cidade. Em Isaias 43. 25 o Senhor diz; Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro. O texto de Isaias deixa claro que o Senhor se referia a Israel, mas sua misericórdia abrange não somente os Israelitas e sim todas nações, desde a promessa feita a Abraão que em ti serão abençoadas todas famílias da terra. A pregação de Nínive nos remete até Paulo, pregador aos gentios. Qual a diferença do profeta Jonas para o apostolo Paulo? A diferença é simples de responder, Jonas não queria, Paulo amava o que fazia, queria que os gentios fossem salvos. Paulo deu sua vida pelo evangelho e Jonas não. Mais como um Israelita não há dúvida que ele daria sua vida pelo seu povo.



O texto claramente nos mostra que o profeta tinha um senso de justiça, olhando por este lado talvez tivesse razão vendo sua nação sofrendo nas mãos do inimigo. Vejamos que quando estava no navio com supostamente fenícios, quando a sorte foi lançada e caída sobre ele, ele mesmo se ofereceu com sacrifício para que a vida daqueles marinheiros fossem salvas. Mostrou amor para com essas almas.



Os ninivitas não eram uma nação que temia a Deus, talvez soubessem que Israel tinha um Deus, o que era motivo de zombaria pelas nações vizinha, pois o Deus dos israelitas era invisível. Mais quando ouviram a pregação de Jonas se converteram, enquanto muitas vezes Deus se manifestava em Israel com sinais e milagres, ainda assim o povo não criam. O que nos faz crer na existência de Deus é sua criação, a igreja de hoje passa pelo um processo de incredulidade, precisa ver o sinal para crer, quando isso acontece fica evidente que a igreja é nominal e não tem a marca de Cristo.



O AT é fascinante porque nos dar amostra de como seria a graça, de como Deus é misericordioso, benigno e redentor. Quando um indivíduo se arrependia Deus perdoava, por mais que seus pecados fossem os mais graves. Aqui temos relatos de uma nação mergulhada na imoralidade, o pecado subiu até a Deus, sabemos que em outras ocasiões quando os pecados de uma nação subiu a Deus, houve justiça, no diluvio sobre a terra, houve pregação, mais não houve arrependimento, Sodoma e Gomorra foi destruída por causa do pecado da imoralidade. Mais em Nínive foi diferente houve arrependimento quando ouviram a pregação, um povo que estava morto, sem vida, sem esperança, deu credito a palavra do pregador. A diferença está aí, a palavra é pregada todos escutam, mais nem todos dão ouvidos, o trabalho do Espirito Santo é levar do ouvido ao coração e quando o Espirito de Deus atua o nosso coração é circuncidado, somos selados com o seu Espirito.



A palavra continua sendo pregada, perto está o Senhor dos que tem um coração quebrantado e salva os de espirito oprimido (salmos 34.18) os ouvidos do Senhor sempre esteve atento a um coração em arrependimento. No vs 1 do capitulo 4 vemos o quanto Jonas ficou desapontado e irado porque os ninivitas se converteram, e ele pede sua morte e ainda se justifica porque pegou o navio para Társis. Veja o versículo 2 do capitulo 4, E orou ao Senhor e disse: Ah! Senhor! Não foi isso que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal. Este versículo é maravilhoso, Jonas sabia muito bem quem era Deus, sabia que se ele pregasse as pessoas iriam se arrepender. Vivemos em um tempo em que o clamor subiu a Deus, imoralidade que jamais alguma geração viu, portanto, essa geração é a pior de todas. Mas o Senhor é tardio em irar-se, por causa de sua benignidade, mas a nossa geração não quer se arrepender, Nínive ouviu a pregação, nossa geração não ouve, a justiça de Deus está próxima como nos dias de Noé. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao diluvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não perceberam, senão quando veio o diluvio e os levou a todos, assim será a vinda do filho do homem. (Mateus 24.38-39) O próprio Jesus disse isso, e também citou outra passagem a respeito de Jonas em Mateus 12.40, Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o filho do homem estará três dias e três noite no coração da terra. Essas duas citações tem uma diferença, uma se cumpriu e a outra se cumprirá, visto que aqueles que se arrependem de seus pecados, como os ninivitas não serão surpreendidos, mas aqueles que não se arrependeram serão surpreendidos como no diluvio. Uma coisa é fato Deus é misericordioso, mas não aceita imoralidade e sua justiça prevalecerá, seja para os que se arrependeram e os que não se arrependeram.



Maranata ora vem Senhor Jesus!

 



domingo, 15 de janeiro de 2017



A heresia e o discernimento do cristão





Por Gilberto Lima

Colossenses 2.8,9
                                                                      
A carta aos colossenses foi escrita pelo apostolo Paulo cerca de dois mil anos atrás, alguns dizem que os escritos estão ultrapassados pela forma arcaica, hoje em dia para atualizar a tradução existem muitas versões que de certa maneira nos ajuda na compreensão da palavra. Fato se arcaica ou não, a linguagem da bíblia sempre foi a mesma quando, feita em uma tradução fidedigna, ela continua atualizadíssima, ética e valores sempre foram imutáveis, conselhos sempre atualizados e verdadeiros a ser aplicados em nossos dias.
Em que sentido digo isto?
O que rodeava colossos?
Qual era a preocupação de Paulo?
O que rodeava os colossos era heresia dos gnósticos. Em que sentido digo isto é porque muitos anos se passaram e ainda vemos muitos vestígios desse movimento e a preocupação de Paulo era combater essa heresia.

A preocupação de Paulo era provar que jesus veio em carne (corporalmente Col 2.9), ele responde a um grupo de gnósticos que acreditavam que Jesus veio somente em espirito e a religião cristã nos ensina que Jesus veio como homem nascido de uma virgem onde o filho de Deus foi encarnado.

Por isso na antiguidade houve fortes debates para discutir se Jesus de fato veio corporalmente ou não, a discussão era voltada para as duas naturezas de Cristo, chegando à conclusão que Jesus era 100% Deus e 100% homem. Se entregou por nós voluntariamente como homem, mas não usou seu poder, pois, se quisesse sairia da cruz e fulminava a todos que o crucificaram, apenas Jesus como Deus não usou seus atributos. Tudo isso para ser sacrificado em nosso lugar para que a salvação viesse a nós.

Talvez você esteja pensando, o que eu tenho a haver com isso? Se Jesus veio corporalmente ou não? Pra mim tanto faz. Não, não pense assim, o sacrifício só valeu porque jesus veio como homem e foi o único que cumpriu a lei, portanto somente ele poderia ser crucificado.

Jesus certa vez disse: não vim ao mundo para trazer paz e sim espada. Quantas batalhas Paulo travou em nome do evangelho contra as heresias e quantas pessoas o odiaram por isso. Uma vez Martinho Lutero disse “A paz se possível mas, a verdade a qualquer custo”. Se você quer seguir a Jesus você tem que fazer diferente do mundo e a batalha a ser travada contra o mundo é a morte do “eu”, isso é tomar a cruz seguir a Cristo e morrer por ele, pelo evangelho. Há muitas glorias e honras para um mártir, mas haverá muita recompensa para aqueles que morrem para o mundo que a cada dia perde um pedaço de si, isso é seguir a Cristo, é carregar a cruz, talvez isso seja mais difícil ainda viver sobre a terra morrendo dia após dia.

Como crentes, como seguidores e discípulos de jesus, nós assim como Paulo temos que travar batalhas e muitas vezes isso nos deixa cicatrizes por resto de nossas vidas. Por amor ao evangelho muitas vezes perdemos amizades, por isso Jesus disse; não vim trazer a paz e sim divisão. (Mateus 10. 34-36)

Às vezes é necessário algumas divisões, por exemplo hoje muito provável que não seriamos protestantes se Martinho Lutero não participasse da divisão da religião, estaríamos presos ainda na ignorância, com a bíblia guardada somente para os clérigos. E se você hoje tem uma bíblia em suas mãos muito se deve a reforma protestante. Se Paulo não lutasse contra os hereges de sua época possivelmente não teríamos o novo testamento em nossas mãos.
É melhor o mundo divido com a verdade do que ele unido com a mentira (gifeli). Quantas pessoas negam que jesus veio ao mundo corporalmente, quantas pessoas dizem que Jesus foi criado e não gerado, quantas pessoas dizem que Jesus foi somente um profeta. E você quais são suas convicções?

O evangelho de Jesus é simples e deve ser mostrado na sua essência e verdade, doa a quem doer.

O sacrifício de cristo foi tremendo e dolorido, Deus o abandonou no momento em que os nossos pecados estavam sobre Ele. Porque Deus o abandonou? Porque o senhor não suporta pecados e quem matou Jesus foi os nossos pecados. Por isso Jesus cristo é o único mediador entre nós e a eternidade, ele se fez pecado para que seus eleitos fossem justificados e entrasse na eternidade sem nenhuma mancha de pecado, pois o sangue no sacrifício nos redimiu.

Estejamos firmados na verdade sem legalismo, firmados na graça do nosso salvador. Nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus. Quem nos acusará? Se é Deus quem nos justifica!

Para isso preciso reconhecer que Jesus:

Que Jesus é Deus
Que Jesus foi homem
Que Jesus morreu
Que jesus ressuscitou
Que Jesus está assentado a direita do pai
Que Jesus voltará

Que Jesus nos dará o céu na eternidade e então viveremos para todo sempre. Amém!

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

domingo, 25 de dezembro de 2016


     Jesus desceu as partes mais baixas da terra?



 Por Gilberto Lima


Porque o credo apostólico diz que jesus desceu ao mundo dos mortos?
 


Credo Apostólico



Creio em Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu Filho unigênito, nosso Senhor,
o qual foi concebido pelo Espírito Santo,
nasceu da virgem Maria,
padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu ao mundo dos mortos,
ressuscitou no terceiro dia,
subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso,
de onde virá para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja cristã, a comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição do corpo e na vida eterna. Amém.


As regras de fé não é um uso exclusivo dos pais da igreja e nem da igreja católica, é muito mais antigo que se possa imaginar, assim como nossos princípios são baseados na conduta ética judaico cristã, os credos de muitas igrejas se baseiam neste sistema. Os judeus usavam sua regra de fé escrito em Deuteronômio 6.4-9.


É surpreendente descobrir que a frase “desceu ao inferno” não se encontrava em nenhuma das versões primitivas do credo (nas versões usadas em Roma, no resto da Itália e na África) até que ela apareceu em uma das duas versões de Rufino em 390 d. C. Depois, não foi incluída de novo em nenhuma versão do credo anterior a 650 d. C. Além disso, Rufino a única pessoa a inclui-la antes de 650 d. C., não pensava ¹que essa frase significasse que Cristo desceu ao inferno, mas que foi “sepultado”. Em outras palavras, ele entendia que a frase significava que Cristo “desceu à sepultura”. (A forma grega traz hades, que pode significar apenas “sepultura”, e não geena, “inferno, lugar de punição”.). Devemos também observar que a frase só aparece em uma das duas versões do credo que temos de Rufino, e não foi na forma romana do credo que ele preservou.


O apoio para essa ideia de que Cristo desceu ao inferno encontra-se em cinco passagens: Atos 2.27; Romanos 10.6,7; Efésios 4.8,9; I Pedro 3.18-20; I Pedro 4.6.


Então estudaremos essas passagens:


Em Atos 2.27;



No grande discurso do apostolo Pedro na revista corrigida está escrito; Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu santo veja a corrupção; Em Salmos 16,10 o salmista Davi diz; Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.
Segundo Wayne Grudem a palavra inferno traduzida no novo testamento é hades mas no antigo testamento era sheol, essa interpretação não está falando que Jesus foi ao inferno após sua morte, o apostolo Pedro diz que Jesus não viu corrupção e Davi sim, por isso conclui que a interpretação do texto de Salmos 16.10 e de Atos 2.27 em momento algum fala que Jesus foi ao inferno. A NVI foi feliz ao traduzir esses textos como sepultura e não inferno, aí fica mais fácil de entender, Pedro quer dizer que o corpo de Davi foi decomposto porque ele era corruptível, já o do nosso Senhor Jesus cristo não, ele nunca pecou, seu corpo é (era) incorruptível. Por isso diz; não permitirás que o seu santo veja a corrupção. Fala se isso referindo-se a Jesus Cristo. Então essa passagem de Cristo ressuscitando do túmulo não apoia de forma convincente com a ideia que jesus desceu ao inferno.


Em Romanos 10.6,7;



Mas a justiça decorrente da fé assim diz: Não perguntes em teu coração: Quem subirá ao céu?, Isto é, para trazer a Cristo; ou: Quem descerá do abismo?, Isto é, para levantar a Cristo dentro os mortos. (ARA)
Repare que Paulo faz as duas perguntas retóricas e faz referência a Deuteronômio 30.13 e o que é interessante é o versículo que vem logo depois, seja em Deuteronômio ou Romanos. Novamente podemos ver que não tem ligação nenhuma com descer ao inferno. Esse tipo de pergunta pode haver incredulidade e Paulo logo trata desse assunto. Levantar a cristo dentre os mortos, essa passagem não tem nada a ver, até porque jesus não estava dentre os mortos, pois, quando Paulo disse isso fazia algum tempo que Jesus tinha morrido, se assim interpretar esse texto, posso dizer que meu Senhor não ressuscitou, então não há como interpretar assim como muitos dizem. Paulo estava falando de fé, nos versículos seguintes entenderemos o que o apostolo estava dizendo. Paulo estava dizendo perto ou longe, Jesus estava por perto, e com a boca confessar e no coração crer que Deus ressuscitou dentre os mortos, seriamos salvos. Novamente a passagem não está dizendo que Jesus foi ao inferno ou que está dentre os mortos, pelo contrário usa-se o verbo no passado ressuscitou.


Efésios 4.8-10;



Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens. Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra? Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.


Na colocação de Paulo há uma implicação anterior, um oposto de subiu, desceu, passado, sendo assim a NVI explica melhor:
Por isso é que foi dito: “Quando ele subiu em triunfo às alturas, levou cativos muitos prisioneiros, e deu dons aos homens”. (Que significa “ele subiu”, senão que também havia descido às profundezas da terra?  O texto fica claro que Paulo está falando de quando Jesus desceu as regiões inferiores da terra estava dizendo de sua encarnação quando nasceu da virgem Maria, e quando subiu acima de todos os céus, isso se refere a ascensão de Jesus quando esteve aqui na terra. E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo. ARA efésios 4.7 Quando Paulo diz “nós” ele está falando também dele o qual foi escolhido apostolo fora de época, sim, mas foi o próprio Senhor quem o chamou e essa passagem é tão nítida que não diz nada sobre pregar aos mortos quando desceu as partes inferiores. E o texto prossegue e ele (Jesus) concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,. Efésios 4.11 Concluímos ainda mais que o propósito de Jesus foi de dar dons aos homens quando ele esteve de corpo presente aqui na terra e também de nos ensinar de uma forma tão maravilhosa o cristianismo. Em filipenses 2. 5-11 entendemos ainda melhor quando Jesus se humilhou, se esvaziou e assumiu a forma de servo. Isso sim é por amor a nós ir até as partes mais baixas da humilhação, deixando seu trono de glória e pregando o seu santo evangelho a vivos mortos no pecado, isso é descer as partes mais baixa da terra.


I Pedro 3.18-20;



Pois também Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus. Ele foi morto no corpo, mas vivificado pelo Espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão que há muito tempo desobedeceram, quando Deus esperava pacientemente nos dias de Noé, enquanto a arca era construída. Nela apenas algumas pessoas, a saber, oito, foram salvas por meio da água, (NVI)


Estes versículos são muito mal interpretados, também pudera, não é nada fácil. Mas podemos chegar a conclusões segundo o que a própria bíblia nos diz em outros textos sagrados. Então, vamos lá, se tem um texto na bíblia que parece nos levar a acreditar e muitos tem ido por esses caminhos, assim complicando toda teologia bíblica numa incoerência incrível, quando dizem que Jesus foi no inferno e pregou para os espíritos cativos e também para os crentes do antigo testamento.


Há várias interpretações no campo do cristianismo seja católica ou em outros seguimentos protestantes. Foi jesus realmente ao hades e pregou aos espíritos que estavam em prisões? O que este texto quer dizer? Isso não é novidade, sempre houve debates na história da igreja sobre este assunto. Poucos entenderam o que o texto estava dizendo, apesar do brilhantismo das mentes que debateram este assunto há muitos séculos atrás.
Passarei aqui algumas posições que sobressaíam em suas épocas, como:


Tradição católica:


 No entendimento católico é de que Cristo após sua morte foi ao limbus patrum. Na teologia católica este lugar é pra onde vão os mortos que não são salvos pela graça, mas que não podem ser classificados como pagãos ou mesmo como pecadores réprobos. Este lugar fica nas bordas do inferno e purgatório, todavia, não deve ser confundidos com eles. O limbus patrum não é um lugar de tormentos. Ao qual Cristo ²se refere no texto onde fala do rico e lazaro. O inferno é um lugar de condenação eterna, enquanto, o purgatório é temporário reservados para os cristãos veniais ou os que morreram sem a devida penitencia pelos seus pecados.
 Para a tradução católica os santos do antigo testamento esperavam a descida de Jesus ao hades para a redenção através sacrifício na cruz. Se estendendo por todo hades para manifestação da gloria de Cristo sobre o diabo e condenados e o cumprimento da esperança para os que estavam no purgatório. Essa ideia ganhou muita força no período medieval. Portanto, se essa explicação está correta, Jesus desceria somente a um compartimento do hades pregando somente aos bons e não aos ímpios.



Visão arminiana


Diferente das visões católica, luterana, anglicana e reformada, os arminianos vão além, que Cristo, afirmam eles, pregou aos mortos em geral e não somente aos bons como dizem anglicanos e católicos, esse ultimo a diferença está no purgatório.
Os arminianos afirmam que cristo pregou no hades dando oportunidade aqueles que nunca ouviram a pregação e entendem que pregou aos “espíritos em prisões” são essas pessoas. Essa ideia é equivocada do texto de I Pedro 3.18-20. A dificuldade disso tudo é que os santos do antigo testamento já havia sidos justificados (Rm 4.3 Gl. 3.6-9), o que torna desnecessária essa evangelização.    


Visão reformada


A visão reformada nas ideia de Calvino transmitidas em alguns seguimentos na Inglaterra na época do rei Eduardo VI, através dos ensinos do bispo anglicano John Hooper que assim comentou sobre cláusula da descida ao inferno do credo apostólico por volta de 1549. Que assim diz; “Eu creio que enquanto estava sobre a dita cruz, morrendo e entregando seu espirito a Deus seu pai, ele desceu ao inferno; Isso quer dizer que provou verdadeiramente e sentiu a grande aflição e peso da morte e igualmente as dores e tormentos no inferno, o que quer dizer a grande ira de Deus e o seu severo julgamento sobre si, até ter sido totalmente esquecido por Deus... Este é simplesmente meu entendimento de Cristo e sua descida ao inferno”. A tradição reformada entende assim com poucas variações em sua teologia.


Entendendo o texto de I Pedro 3.18-20


A verdade que esse texto não está dizendo que jesus foi ao inferno pregar, e isso não é afirmado em nenhuma parte das escritura, até porque se isso fosse verdade entraríamos em contradição com a própria bíblia, em Lucas 16. 26 diz; E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá. E também em hebreus 10.26,27 diz; Se continuarmos a pecar deliberadamente depois que recebemos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, mas tão-somente uma terrível expectativa de juízo e de fogo intenso que consumirá os inimigos de Deus.


Como acabamos de ler, a bíblia não nos afirma uma segunda chance como pensam os arminianos, católicos, anglicanos e outras correntes que assim pensam. Repare que o contexto diz sobre a época do diluvio, se assim fosse os arminianos estariam entrando em contradição consigo mesmo, porque se a salvação é pra todos em geral assim como eles afirmam, não faz sentido aplicar esse texto de I Pedro 3.18-20 sendo que o texto estaria destinado somente ao um grupo de pessoas.


Fica bem claro nos versículos 14 e 16 do capitulo 3 de I Pedro que o escritor desta carta encoraja seus leitores a serem perseverantes e longânimos. Que assim como as forças eram hostis demoníacas na época da pregação pre diluviana, o apostolo encoraja seus leitores as forças hostis das pessoas que eram contrarias a pregação do evangelho e que assim como oito pessoas foram salvas no diluvio, seus leitores deveriam confiar que Jesus Cristo os redimiriam também através de sua volta.


No qual foi também e pregou aos espíritos em prisões há várias linhas de pensamento, uns dizem que esse espíritos em prisões foram os anjos que pecaram enquanto a arca era construída, e não era uma pregação e sim a sentença de condenação, mas não há respaldo bíblico para isso. Outros dizem que esses espíritos eram dos santos do antigo testamento, se eram dos santos, não haveria essa possibilidade de pregação, porque eles estavam salvos. Wayne Grudem em seu livro teologia sistemática (pagina 493) diz; a bíblia não nos dá indício claro que nos faz pensar que os crentes do antigo testamento quando morriam não tinham acesso as bênçãos de estar na presença de Deus no céu – aliás, algumas passagens dão a entender que os crentes que morreram antes da morte de Cristo entraram, na presença de Deus de imediato, porque seus pecados foram perdoados pela confiança no messias que viria (Gn 5.24; II Sm 12.23; Sl 16,11; 17, 15; 23, 6; Ec 12.7; Mt 22. 31-32; Lc 16. 22; Rm 4. 1-8; Hb 11.5).


Já os arminianos afirmam que a pregação era pra todos os que viveram antes de Jesus ter morrido, sendo assim e se essas pessoas estão no inferno em um lugar de condenação não faz sentido jesus ir lá pregar e eles não se converterem. Quem não aceitaria uma situação de escape para viver em outro lugar melhor? Não faz sentido esse argumento, se não cairemos em um universalismo, não passando de um teatro, não precisaria Cristo ter morrido para o nosso resgate, não faria sentido a bíblia falar dos escolhidos de Deus.


A explicação melhor para esse versículo está na maneira que a bíblia diz que Jesus Cristo antes mesmo da fundação do mundo foi imolado, sendo que ele foi sacrificado muito tempo depois do mundo ser criado. No antigo testamento todos sabemos que o Espirito estava sob os santos, mas ele agia mesmo que de uma forma exterior, de fora para dentro, ao contrário de hoje, de dentro para fora. Quando Noé pregava era o próprio jesus falando em sua boca, era o próprio Espirito pregando aquelas pessoas corrompidas. Um indício muito forte pra isso está em I Pedro 1.11 Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. Isso prova que o Espirito de cristo falava aos profetas do antigo testamento.


I Pedro 4.5,6
Contudo, eles terão que prestar contas àquele que está pronto para julgar os vivos e os mortos.
Por isso mesmo o evangelho foi pregado também a mortos, para que eles, mesmo julgados no corpo segundo os homens, vivam pelo Espírito segundo Deus. (NVI)
Mas terão de dar contas ao juiz de todos, dos vivos e dos mortos.
Por isso as boas novas foram pregadas até mesmo aos que morreram, para que, ainda que os seus corpos tivessem recebido a sentença da morte, como toda a gente, os seus espíritos vivessem segundo o juízo de Deus. (O livro)



Duas traduções diferentes, a primeira da NVI diz foi pregado o evangelho a mortos, a segunda diz que foi pregado aos que morreram, essa última é mais aplausível inclusive mais que muitas tradições em que estamos acostumados a ver. Porque ela é mais aplausível? Porque a própria bíblia não nos dar margem nenhuma para isso, se isso fosse de fato entraríamos em contradição de Hebreus 9.27,28 que diz; Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo, assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam. Esta passagem nos mostra claramente que não há segunda chance como muitos dizem, o homem morre uma só vez e depois disso vem o juízo e do mesmo jeito Cristo foi oferecido uma única vez seu sacrifício para tirar o pecado de muitos, não de todos como ensinam os arminianos, mas para trazer salvação aos que o aguardam, portanto que se conclui que os corpos dos santos ainda estão dormindo, mas o espirito de imediato sobe a Deus, mais tarde quando o Senhor Jesus voltar o espirito se juntará com o corpo que está dormindo.


É por isso que Cristo é o mediador de um novo pacto; porque tendo morrido para libertar as pessoas da culpa dos pecados, até os cometidos sob a primeira aliança, faz agora com que todos aqueles que são chamados possam entrar na posse dos bens eternos que lhes foram prometidos. (Hebreus 9.15) Este versículo deixa claro que Cristo não foi ao inferno pregar para os da velha aliança, por isso o sacrifício valeu de uma vez por todas sem necessidade de pregar aos mortos, pois, diz; porque tendo morrido para libertar as pessoas da culpa dos pecados, até os cometidos sob a primeira aliança,... 


Respondendo à pergunta se jesus desceu ao hades para pregar, isso não é verdade. Não quer dizer que um erro antigo possa se perpetuar em nossos dias, assim como ainda existem pessoas que acreditam que jesus morreu para pagar algo ao diabo, isso é mentira, o diabo não tem que preitear nada, porque o Deus tem todo o poder no céu assim como na terra, antes, o Senhor Jesus Cristo morreu para aplacar a
 própria ira do pai, porque o pai em sua infinita santidade não suporta os nossos pecados, mas o sacrifício de Jesus nos trouxe graça e Deus assim virou o seu rosto sobre nós e nos fez filhos juntamente com seu filho.




 ¹ Wayne Grudem, teologia sistemática pagina 489

² Heber Carlos de Campos, arquivo em pdf